A manhã desta segunda-feira (02/02) marcou o início de uma nova etapa, com mais dignidade e segurança, para a família de Maria Rosilene Serafim, de 29 anos. Moradores de Porto Ferreira, na região Central do Estado de São Paulo, ela, o companheiro Jaian Chineglia, também de 29, e os filhos Luiz Fernando, de 11 anos, Carlos Henrique, de 13, e Carlos Eduardo, de 14, saíram do barraco precário onde viviam para uma casa nova, construída ao lado da antiga moradia pelo programa Viver Melhor, da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU).
A iniciativa, que investiu mais de R$ 209 milhões para beneficiar 6,6 mil famílias em todo o estado de São Paulo nos últimos três anos, promove melhorias e adequações em unidades habitacionais localizadas em assentamentos e núcleos urbanos, como é o caso da família de Maria, residente do Jardim Esperança, bairro onde cerca de 100 moradores foram contemplados com o programa. A casa nova da família precisou ser construída desde a fundação, já que a moradia antiga não possuía nenhuma estrutura que pudesse ser reaproveitada na obra.
“Só de entrar aqui a gente já se sentiu mais feliz. Só temos que agradecer a Deus e a CDHU porque ali a gente já perdeu várias coisas, então não víamos a hora de sair de lá”, disse Maria, com um sorriso largo no rosto ao conhecer os cômodos da casa. “Eu estou me sentindo segura com meus filhos. Antes não me sentia assim”, completou emocionada.
A história da família no local começou há cinco anos, quando Maria Rosilene, natural de Alagoas, veio para São Paulo com os três filhos em busca de uma nova vida. Ela e as irmãs receberam um terreno do pai no Núcleo e, como alternativa à falta de condições para arcar com o aluguel, decidiu construir uma moradia feita de madeira e lona na sua parte da área. “Fizemos um barraco de lona para não pagar aluguel, porque a gente não tinha condições. Ou a gente pagava aluguel ou dava comida para as crianças. Então, preferimos sair do aluguel, fazer uma casinha de lona para dar alimento para eles”, explicou Maria, que passou a viver com Jaian, após o conhecer estando já há um ano em São Paulo.
A precariedade da moradia construída, no entanto, deixava a família expostas a riscos e situações insalubres. O pequeno barraco onde moravam as cinco pessoas foi erguido em chão de barro, perto de uma área com mata alta, onde animais rurais, como galinhas e porcos, são criados. Além disso, ratos, baratas e outros animais peçonhentos, como escorpiões e cobras, são frequentes por conta do acúmulo de lixo em um terreno próximo. Outra situação constante relatada pela família era a perda de móveis e eletrodomésticos por conta da chuva. “A gente já perdeu geladeira, armário, cama de casal das crianças. Até meu colchão está rasgado por conta da chuva. Uma vez uma telha voou e ficamos desesperados”, relembra Maria.
Para que a nova casa fosse erguida, foi preciso elaborar um estudo que considerasse as partes críticas da área. “Como já havia casas ao redor, tínhamos dificuldade de colocar iluminação e ventilação, então elaboramos um projeto específico para preservar esses dois quesitos, porque na casa antiga dela não tinha”, pontuou Kaio Vinícius Bocalon, engenheiro responsável pelo gerenciamento e execução das obras do Viver Melhor em Porto Ferreira. “Foi feita a fundação, alvenaria, a parte estrutural, bem como as áreas molhadas com pisos, azulejos, banheiro com revestimento nas paredes e louças, além de uma cozinha arejada, ou seja, uma casa do zero, completa e feita com qualidade”, detalhou ele ainda. A obra foi realizada em cerca de dois meses e meio.
O recomeço na nova casa vem acompanhado de novas metas para melhorar a qualidade de vida do casal e dos filhos, conforme relata Maria. “Agora, meu sonho é trabalhar para comprar móveis para minha casa e proporcionar coisas melhores para meus filhos”, disse, sorridente, ao lado do companheiro.