A grande final do festival Raízes da Zona Leste reuniu artistas, moradores e famílias no Centro Educacional Unificado (CEU) Jambeiro, em Guaianases, no último sábado (9). Gratuito e aberto ao público, o evento reconheceu artistas das categorias funk/trap, samba/pagode e gospel, após apresentações avaliadas por uma banca formada por profissionais com atuação na música, na produção cultural e em projetos de impacto social.
Promovido pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), o festival integra o projeto Zona Leste Somos Nós, iniciativa voltada à promoção de ações de desenvolvimento social nos territórios onde a Companhia atua, incentivando cultura, inclusão e oportunidades para a população. A final contou com a presença do presidente da Companhia, Reinaldo Iapequino, que ressaltou o papel social que o projeto cumpre para a região.
“O que procuramos com esta iniciativa é criar oportunidades de geração de emprego e renda por meio da atuação da CDHU, não só como promotora de habitação, mas também conduzindo um trabalho social importante, de integração das comunidades onde atua. A Zona Leste, excluindo a Mooca, concentra apenas 6% dos empregos da cidade de São Paulo. Então, a gente quer contribuir para gerar oportunidade, renda e prosperidade, ajudando a reduzir as desigualdades da região”, afirmou Iapequino.
A proposta de fortalecer a economia local e ampliar as oportunidades para os moradores da região também foi destacada por José Luiz Portella, gestor do projeto Zona Leste Somos Nós. “Essa iniciativa é um meio de gerar emprego e renda na Zona Leste. A região tem 4,1 milhões de habitantes, 35% da capital. O problema é que a riqueza gerada por ela não fica lá. O que o projeto pretende fazer é trazer oportunidades para que as pessoas possam trabalhar e prosperar na própria região”, afirmou.
A diretora de Projetos e Programas da CDHU, Maria Tereza Diniz, também prestigiou o evento. Ela exaltou a diversidade cultural e o talento apresentados pelos participantes. “Fico muito feliz de ver quanta cultura, quanto talento. A gente espera poder apoiar cada vez mais iniciativas como essa, que possam servir também como novos caminhos profissionais e de capacitação para os artistas locais”, disse.
A final do festival reuniu 15 artistas finalistas, cinco em cada categoria — funk/trap, samba/pagode e gospel —, que levaram ao palco suas trajetórias, vivências e identidades artísticas construídas nos territórios da Zona Leste. Os candidatos foram classificados por meio de eliminatórias realizadas nos últimos dias 2 e 3 de maio e 18, 19 e 21 de abril.
Na categoria funk/trap, o primeiro lugar ficou com D’Oliveira. “Foi muito mágico participar desse festival. Representar a minha comunidade e levar essa vitória para ela significa muito. Para um sonhador como eu, conquistar esse espaço mostra que o céu não tem limite”, contou o artista. A segunda colocação ficou com Poeta Cassi, seguido por Kakau, em terceiro lugar.
Na categoria samba/pagode, Maisa Alves e Guth dividiram o primeiro lugar. Rodrigo Clima ficou com a terceira colocação. “Levar a melhor posição para São Mateus é um sentimento de dever cumprido. Minha comunidade tem cultura e eu provei isso para todo mundo. Agora, o sonho é continuar expandindo o nome do samba de raiz e nunca parar de cantar”, destacou Maisa.
Já Guth, cujo nome é Guthielli de Souza, disse que a conquista tem um significado muito grande para a carreira dele. “Essa vitória representa um novo recomeço. Eu já tinha a pretensão de gravar um disco este ano, e isso foi um abre-alas não só para mim, mas para todo mundo que participou daqui. Quero que minhas músicas alcancem todo tipo de público e que meu nome continue crescendo dentro do pagode”, afirmou.
A conquista do primeiro lugar na categoria gospel foi de Nicolly do Valle, de apenas 12 anos. “Eu estava muito nervosa, mas muito feliz e realizada de estar aqui. Essa vitória significa muita coisa para mim, minha família e meus amigos, porque faz meses que treinávamos para essa final”, contou a adolescente. Weslley Oliveira ficou com a segunda posição, seguido pelo Ministério Cordeiros do Samba, em terceiro.
Confira os vencedores de cada categoria:
Funk/trap
1º - D'Oliveira (Renan Carlos Assis de Oliveira);
2º - Poeta Cassi e Grupo R & B Brasileiro (Gabriel Corrêa de Souza Cassiano);
3º - Kakau (Kauã da Silva Pinto).
Samba/pagode
1º - Maisa Alves e Banda (Maisa Dias Alves) e Guth (Guthielli de Souza), empatados;
3º - Rodrigo Clima (Rodrigo Freire Gonçalves).
Gospel
1º - Nicolly do Valle (Nicolly Silva Rodrigues);
2º - Weslley Oliveira (Weslley Victor dos Santos Oliveira);
3º - Ministério Cordeiros do Samba (Cleber Santos Ferreira).
Oportunidades e formação para os vencedores
Os primeiros colocados de cada categoria terão acesso à produção de um videoclipe profissional, como forma de impulsionar suas trajetórias artísticas e ampliar sua visibilidade. Os três melhores colocados de cada categoria também terão acesso a cursos voltados ao desenvolvimento artístico e técnico e poderão indicar até dez pessoas, incluindo eles próprios, para participar das formações, que incluem aulas de canto, produção musical e capacitação em iluminação, sonorização e roadie.
Durante a final, a CDHU também realizou sorteios de cursos profissionalizantes gratuitos para o público presente, em parceria com a Obra Social Dom Bosco. Entre as opções oferecidas, estavam formações em animador stop motion, editor de projetos visuais gráficos, organizador de eventos, reciclagem e eletricista de sistemas de energias renováveis, ampliando o alcance social do festival para além do palco.
As fotos da final estão disponíveis em: https://flickr.com/photos/habitacaosp/albums/72177720333585699