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Da periferia aos palcos da Virada: vencedores do Raízes da Zona Leste contam suas trajetórias

Iniciativa da CDHU transforma histórias através da música; atuação da Companhia vai além da entrega de habitação

01/06/2026
Foto ilustrativa

Vencedores do Festival Raízes da Zona Leste celebram suas trajetórias e as novas oportunidades. Foto: Camilla Nepomuceno/CDHU.

“Nascido e criado na Zona Leste de São Paulo, um moleque sonhador. Respira música desde sempre”. Foi dessa forma que o artista independente D’Oliveira, vencedor da categoria funk/trap do Festival Raízes da Zona Leste, se apresentou. A localização do nascimento e da criação, segundo ele, não é uma mera definição geográfica, mas sim uma característica identitária que norteia todo o seu trabalho e sua arte. “Cresci e vivi na Cohab 2, na Zona Leste, na Virgínia Ferni. Tudo o que eu aprendi, as minhas vivências, vieram de lá. Espero ascender em prol do lugar de onde vim e onde amo. Pode acontecer o que for em minha vida, eu sempre vou querer estar ali. É a minha raiz”, complementou.

A iniciativa da Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU), que integra o projeto Zona Leste Somos Nós, voltado à promoção de ações de desenvolvimento social nos territórios onde a Companhia atua, buscou alcançar exatamente esse público regional, incentivando a cultura, a inclusão e oportunidades para artistas da região.

A trajetória do cantor D’Oliveira começou na igreja que frequentava. Mais tarde, ele passou a cantar em bares. Em maio de 2019, lançou seu primeiro single e expandiu sua atuação na Zona Leste. “Lancei a música com a ajuda da banda Engrenagem Urbana, que não posso deixar de citar, porque me ajudaram muito, abriram portas e caminhos. Fomos rodando em Casas de Cultura, fizemos circuitos nos CEUs. Cheguei a fazer feat com artistas renomados, como MC Lipe e MC Guri. E estamos aqui hoje”, disse.

Segundo ele, cantar na Virada Cultural 2026, uma das oportunidades proporcionadas pela vitória no Festival, foi um marco na carreira e já era um sonho antigo, desde que viu um cantor que admira se apresentar no evento. “Tenho um parceiro meu, que é o maestro Kiko de Souza, que faz parte da banda Engrenagem Urbana, faz a direção e é o tecladista do meu show. Lá em 2019, naquele mesmo palco, em Cidade Tiradentes, o Emicida cantou. E o Kiko estava ajudando no backstage, subiu lá, conseguiu pegar o setlist e me deu de presente. Aquilo foi uma semente em meu coração. Um dia, eu vou tocar na Virada Cultural, pensei. E aconteceu isso naquele mesmo palco. É até meio emocionante falar”, contou.

Tendo o sonho realizado, D’Oliveira destacou a iniciativa da Companhia, que alavancou o processo e foi parte da conquista. “O Festival abriu oportunidades para a gente, que é artista independente. Sabemos que, sobre a Virada Cultural, é muito difícil você ingressar, se você não é um artista conhecido. Ele, então, abriu uma porta gigantesca, de poder ter acesso a essa vivência. Eu acho que é uma escada. Conseguimos chegar hoje e conquistar isso. Agradeço demais porque foi um passo importante dado através do Festival”, finalizou.

Um dos vencedores da categoria samba/pagode, Guth trabalha integralmente com música há quatro anos e também considera que suas produções vêm para exaltar a criação e as potencialidades da Zona Leste, ainda pouco valorizadas. “O que mais vemos, ao conversar com músicos de outras regiões, é que eles apontam a Zona Leste como problemática. Inclusive, a música que eu compus para o Festival Raízes da Zona Leste é exatamente o que eu queria falar para essas pessoas: que aqui a gente também tem bons locais e pessoas. Daqui também saem bons talentos para o mundo todo, de todas as áreas”, afirmou.

Morador do Itaim Paulista há 39 anos, Guth conta que, desde os 16 anos, atua na área de forma profissional e faz parte da banda Gru Vibes há 13 anos, que toca samba rock e flashback. “Quando fui me inscrever no Festival, procuramos um gênero que se enquadrasse mais à banda. Como não tinha esse gênero, e eu já tinha neste ano o projeto de gravar um disco de pagode e tudo o mais, acho que casou perfeitamente com o momento em que eu esperava fazer isso. Juntou tudo e deu tudo certo”, explicou.

Após ser um dos vencedores da categoria em que participou, pôde enfim vivenciar a experiência da Virada Cultural, na edição de 2026. “Cantar na Virada era um objetivo que tínhamos em conjunto com a banda. De toda forma, conseguimos realizar, porque a minha banda hoje trabalha comigo. Foi fantástico e surreal, uma experiência única”, contou.

Guth exaltou, por fim, o Festival organizado pela CDHU, que trouxe mais visibilidade ao seu trabalho. “Fiquei muito satisfeito com a iniciativa. Achei que iríamos apenas participar de um Festival e não que fosse tomar a proporção que tomou para minha carreira artística pessoal. Foi um pontapé inicial em tudo. Consegui apresentar minhas músicas, que é algo que sempre quis fazer.”

Assim como Guth, a cantora Maísa Alves conquistou o primeiro lugar na categoria samba/pagode. Com 29 anos e natural de São Mateus, ela contou que canta desde muito pequena. “Dentro de casa, eu não dava sossego, quebrava os controles remotos. Tudo eu fazia de microfone. Cantei em coral de igreja na minha adolescência. Trabalho com música, profissionalmente mesmo e de forma remunerada, há seis anos. Canto em bares, festas e eventos corporativos”, disse.

Para ela, vencer a competição, além de projetá-la para outras regiões da capital, é importante porque traz reconhecimento também dentro do lugar em que cresceu, viveu e ainda vive com sua família. “Vencer foi um misto de emoções, porque você acaba tendo um destaque na região onde mora. Não tem preço, tem valor. É uma sensação de dever cumprido. Participar de um Festival, ganhar, mostrar a sua arte e o que você ama fazer é muito bom.”

A cantora afirmou, ainda, que o Festival cumpriu também uma função local, ao mobilizar os próprios moradores da região para acompanhar a competição e reconhecer seus talentos. “Às vezes, nós, artistas, temos que buscar fora. Esse Festival foi muito legal para abrir a mente das pessoas mesmo. Muita gente não sabia do Festival, e nós fomos passando essa informação, chamando as pessoas para assistir. Então, esse Festival abriu muitas portas”, complementou.

Nicoly do Valle, a vencedora mais jovem da competição, na categoria gospel, também destacou a iniciativa. Nascida em Guaianases, com apenas 12 anos, contou que desde muito pequena descobriu na música uma de suas maiores paixões. “Comecei a cantar com seis anos de idade, mas consegui entender realmente o que é música e começar a fazer aula de canto aos oito. Meus pais sempre me incentivaram a cantar. Sou a única musicista da minha família. Por isso, eles acabaram me envolvendo e me levando para esse lado. Então, comecei a fazer aula de canto e a me interessar mais por isso”, disse.

Mesmo já tendo participado de outras competições, para a adolescente, esta teve um gosto especial por ter levado à apresentação na Virada Cultural de 2026. “A experiência de cantar na Virada foi muito incrível. Eu já cantei em outros palcos, e eles também foram grandes, mas não esperava que fosse ser tão bom como desta vez. Eu estava bem nervosa na apresentação, mas foi bom. Eu dei o meu melhor”, contou.

Os sonhos, segundo Nicoly, não param por aí. Ciente de que tem muito pela frente para conquistar, ela diz que espera que sua mensagem, dentro do universo gospel, alcance muitas outras pessoas. “Meu maior sonho é o de ser uma cantora reconhecida, para que eu possa espalhar o Evangelho em todo lugar. Sobre a minha voz, o Senhor já tinha falado em várias profecias que ela iria curar, salvar e libertar. Por isso, estou neste propósito de que o meu sonho possa se realizar, salvar almas e cantar em lugares grandes, para que todos consigam reconhecer o nome do Senhor”, finalizou.

*Oportunidades e formação para os vencedores*

Os primeiros colocados de cada categoria terão, ainda, acesso à produção de um videoclipe profissional, como forma de impulsionar suas trajetórias artísticas e ampliar sua visibilidade.

Os três melhores colocados de cada categoria também terão acesso a cursos voltados ao desenvolvimento artístico e técnico e poderão indicar até dez pessoas, incluindo eles mesmos, para participar das formações, que incluem aulas de canto, produção musical e capacitação em iluminação, sonorização e roadie.

Durante a final, a CDHU também realizou sorteios de cursos profissionalizantes gratuitos para o público presente, em parceria com a Obra Social Dom Bosco. Entre as opções oferecidas, estavam formações em animador stop motion, editor de projetos visuais gráficos, organizador de eventos, reciclagem e eletricista de sistemas de energias renováveis, ampliando o alcance social do Festival para além do palco.

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